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24 de Maio de 2022

III Fórum brasileiro de integração lavoura-pecuária-floresta abordou casos de sucesso do método ILPF


Aconteceu na última quarta-feira (11) durante a Expoingá o III Fórum brasileiro de integração lavoura-pecuária-floresta, com palestrantes escolhidos pensando no melhor a ser mostrado sobre o método de integração, nas palavras da presidente da Sociedade Rural de Maringá, Maria Iraclézia de Araújo. Para introduzir o tema, ela abordou que hoje em dia é comum encontrar solos sem fertilidade e nutrientes que foram extraídos pelo gado e pela falta de cuidado com o solo, caracterizando a pecuária tradicional. Para ter resultados satisfatórios, é preciso unir a criação dos bois com a atenção ao solo, seguindo a ciência de modo completo, contando ainda com acompanhamento de técnicos, pois “meio cuidado não basta”, segundo Maria Iraclézia.

 

Paulo Herrmann, ex-presidente da John Deere, deu continuidade ao encontro, relatando como a guerra na Ucrânia serviu para mostrar a fragilidade na garantia da segurança familiar. Norberto Ortigueira ainda ressaltou que “Não dá mais para continuar fazendo pecuária de maneira que destrua o solo e diminua a rentabilidade do produtor” e enfatizou a necessidade da liberação de 18 a 22 milhões de reais para o crédito rural para que seja viável juntar a sustentabilidade a competitividade no agronegócio, que é o grande desafio para se levar adiante.

 

Após os cumprimentos, iniciaram as apresentações de cases de sucesso de pecuaristas que basearam-se no método de integração pecuária-lavoura-floresta. O primeiro foi a fazenda Santa Brígida, em Ipameri, Goiás, de Marize Porto, que realiza a produção de alimentos aliada à sustentabilidade socioambiental baseando-se no mantra “produzir, prosperar e alimentar é possível”. Segundo ela, a floresta permite a manutenção de um ambiente de bem-estar animal, enquanto sequestra o carbono, neutraliza os gases produzidos pelos animais e mantém a nutrição do solo. Para ela, é nisso que se baseia a pecuária do futuro. 

 

Quando Marize assumiu a propriedade em 2006 haviam dívidas e o solo estava degradado e após sua gestão tudo mudou. Foram apresentadas imagens comparativas da fazenda entre 2002 e 2019 e a diferença é absurda, com o pasto verde e parte da propriedade rodeada por eucalipto. Antes da integração, não havia pasto que servia para alimentar o gado, com os resultados atingindo 0,3 UA/ha com produtividade de 2,5 arrobas por hectare ao ano, enquanto que hoje já obtém-se 4,5 UA/ha/ano com produtividade de 33 @/hec/ano. No sistema de produção integrado a agricultura subsidia a recuperação da pastagem. Também é importante fazer o monitoramento do peso do gado para realizar melhorias na alimentação. Após as mudanças, passou-se a produzir carne carbono neutro no local, sendo o produto rastreável, certificado e sustentável, que é o tipo de alimento com origem qualificada que o resto do mundo pretende comprar.

 

Ainda, a pecuarista realiza a bioanálise para garantir a saúde do solo baseando-se em duas enzimas, a B-glucosidase e a arilsulfatase, que permitem avaliar a capacidade de sequestro do carbono em função da atividade enzimática do solo. Ela também investiu no desenvolvimento e treinamento dos colaboradores e na implementação de máquinas agrícolas e insumos de última geração. Para Marize, é essencial ter pessoas capacitadas e engajadas para trabalhar com o maquinário, com as sementes e na aplicação de agroquímicos. O resultado de tudo isso foi o uso do solo num sistema que poupa a terra e produz em uma área até seis vezes menor com custo de produção 54% menor.

 

O manejo da água também é uma preocupação, então ela promove o controle das nascentes e da erosão para a conservação da água no solo e preservação da mata nativa, mantendo a flora e fauna do local minimamente tocadas. Também, na visão de Porto era importante formar um sistema intensivo rotacionado que pesa o gado toda vez que entra e sai do comedouro, monitorando diariamente seu ganho corporal. Ao todo, sua nova propriedade uniu o uso da terra durante o ano todo, o pastejo intensivo rotacionado, o semi-confinamento, a rastreabilidade, irrigação e geração de energia fotovoltaica. O próximo passo rumo à inovação é implementar a biotecnologia, com o uso de algas, bactérias e demais biodigestores que fazem o controle biológico de ervas daninhas e pragas, fazer a pulverização seletiva de defensores por meio de drones e singularizar o processo de plantio, encarando cada planta como uma unidade de negócio. Segundo suas previsões, isso pode levar a uma economia de 50% a 99% com gastos em defensivos agrícolas.

  

O próximo caso apresentado foi de Valdenir Seidel, gerente administrativo e financeiro do grupo Colaboradores do Brasil, que une a religião ao agro. Ele mostrou como conseguiu dentro do projeto Colaboradores do Brasil alcançar a competência técnica para ter sucesso. Sua apresentação foi dividida em três momentos: motivos, processos e resultados. Primeiramente, os motivos da existência do grupo é ser economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente justo. Para isso, o processo de desenvolvimento incluiu conhecer a ILPF, possuir um solo degradado e falta de capacidade de remunerar seus colaboradores, em seguida iniciaram uma parceria com produtores rurais, pois não tinham amplo conhecimento sobre agricultura, para depois cultivarem soja com serviço totalmente terceirizado para finalmente cultivar soja apenas com a colheita terceirizada.  Com isso, se alcançou uma lotação UA/ha de 1,83 em 2021, GMD (kg) de 0,374 e a produção de @/ha de 11,61. Como comparativo, entre 2015 e 2016, seus números eram 1,33 de UA/ha, 0,343 de GMD (kg) e 7,93 de @/ha de produção.

 

O último caso foi apresentado por Pelerson Penido, presidente do grupo Roncador, que carrega consigo o lema “plantas, pecuária, pessoas e planeta em equilíbrio”. O coletivo do qual Penido faz parte encara a Terra como um organismo vivo do qual fazemos parte, por isso a pecuária deve se modernizar para tornar-se uma atividade regenerativa e equilibrada. Segundo ele, "assim como a fazenda que é um organismo agrícola vivo, para estar equilibrado se busca um sistema focado em três grandes pilares: sustentabilidade social, econômica e ambiental”. Para ele, a distribuição de culturas acompanha os ciclos anuais e há muitos benefícios da integração dos sistemas ao ecossistema. Em suas palavras “só se colhe o fruto das ações por meio do cuidado”. Ele discorreu como os ciclos ininterruptos das culturas - especialmente do capim - contribuem para a reciclagem de nutrientes do solo, chegando inclusive a mostrar uma foto de sua propriedade, com um corte feito na terra que mostra raízes de mais de 2,5m de comprimento, que foi alcançado por meio do pastejo do gado que estimula as raízes. Isso acontece pois o aumento da matéria orgânica no solo gera descompactação e permeabilidade, garantindo o conforto térmico e manutenção da umidade, trazendo maior resiliência às culturas.

 

Redação: Nicole de Alencar Broetto



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