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24 de Maio de 2022

Encontro de produtores de leite discute diferenças entre produção brasileira e europeia


Ocorreu na última sexta-feira (13), integrando os encontros técnicos da 48ª Expoingá, o Encontro de Produtores de Leite, que permitiu discutir as peculiaridades da produção leiteira internacional em comparação com a produção brasileira. O encontro foi promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) e pela Sociedade Rural de Maringá, contando com a participação de diversos estudantes da área, além de produtores de derivados de leite.

 

Um dos pilares da conversa foi a conclusão de que o público consumidor está cada vez mais exigente, e no exterior isso é ainda mais perceptível. O zootecnista Leonardo Salles abordou essa questão palestrando sobre a eficiência na produção de leite em um paralelo entre a Europa e o Brasil. Segundo ele, na Europa é muito mais perceptível o aperfeiçoamento de técnicas devido a tradição na produção de leite que já existe em muitos países, como a França, a Holanda, entre outros. Por causa disso, há um investimento maior dos governos em pesquisas no ramo, criando um sistema perfeito que une tradição, pesquisa, inovação e subsídio.

 

Salles apresentou imagens dos modelos e estruturas das propriedades leiteiras que visitou na Europa, onde há forte adequação para o uso de sistemas intensivos, marcados pelos altos investimentos, tecnologia de ponta, genética avançada, alta produtividade, porém altos custos de produção. O zootecnista também passou pelos Estados Unidos para acompanhar o método de produção, onde o frio é muito mais intenso que no Brasil, causando uma preocupação com a construção de estruturas para manter o conforto térmico.

 

Ainda, na Espanha, ele percebeu que são feitos estoques de volumosos como o feno, além dos animais contarem com uma variedade de outros alimentos, que permitem o bem-estar bovino. Diferente de muitas fazendas brasileiras, na Europa não existe a possibilidade de faltar comida para os animais, que podem ter uma dieta que mistura ração, grãos, cevada, feno redondo produzido na propriedade e feno quadrado comprado. Um dos pontos mais destacados por Leonardo é que em outros países a nutrição animal é levada em consideração, pois “vaca bem tratada produz mais”, então eles investem nisso pois sabem que há retorno, afirmou ele.

 

Ele também mostrou imagens de como a tecnologia é aplicada na prática na produção de leite. Na França, por exemplo, as vacas possuem identificador eletrônico, alimentador automático e ordenha robotizada – isso tudo em propriedades familiares de baixa produção – de modo que as máquinas emitem relatórios constantes sobre a qualidade do leite e a saúde da vaca para poder haver o rápido tratamento em caso de detecção de doenças. Além disso, são utilizados diversos recursos na alimentação animal, como o uso de aditivos naturais sensoriais que são misturados à ração e agem no sistema nervoso do animal, deixando-o menos estressado e estimulando o apetite, levando a uma alimentação mais frequente e uma maior produção de leite.

 

Também são utilizados aditivos orgânicos com propriedades antioxidantes, que ajudam no cio e na reprodução, além de gerar um estímulo maior governamental voltado a esse tipo de produtor, já que há uma cobrança menor de taxas e impostos de fazendas que produzem leite orgânico. Outra disparidade entre o Brasil e a Europa, é a preocupação com a higiene ambiental, uma vez que internacionalmente são utilizados produtos que mantém as estruturas limpas e agradáveis por meio do controle de fermentação que leva a melhora no ambiente.

 

Mas isso tudo só foi possível devido ao histórico que a indústria leiteira desses países enfrentou para chegar hoje nesse nível de avanço tecnológico. Salles explica que tudo começou com a Segunda Guerra Mundial, que levou a problemas com a distribuição de comida, gerando fome entre as populações. Para controlar isso, os governos incentivaram a produção caseira de alimentos. Neste cenário, o pós-guerra foi marcado pela criação de subsídios e políticas agrícolas, que vem atuando até os dias atuais.

 

Entretanto, esses sistemas modernos também levaram a consequências negativas, já que o grande estímulo europeu para a produção de alimentos gerou um excesso de alimentos para além do que a população necessitava, causando o desperdício de comida. Assim, já não existia tanto sucesso financeiro em manter uma vida no campo, gerando um despovoamento em massa das áreas rurais, uma vez que em média as atividades agrícolas são 40% menos rentáveis que as demais. Isso generalizou a falta de esperança sobre o futuro dos produtores, por isso percebe-se até hoje altas taxas de suicídio entre agricultores na França.

 

Dessa forma é possível comparar que na Europa existe alta tecnologia empregada, altos custos, alta produtividade, abundância de alimentos, preços baixos, atividades pouco rentáveis e dependência de subsídios, que levou a uma crise social e ao abandono do interior. Enquanto que no Brasil, a produção em geral segue um modelo de baixa tecnologia, custos medianos, baixa produtividade, oferta oscilante, preços razoáveis, margens de lucro oscilantes porém maiores e subsídios pouco ofertados e utilizados. “Mas que lição se pode tirar disso?”, indaga Salles.

 

Em sua perspectiva, a eficiência é o contrário de desperdício, então deve objetivar-se obter o máximo de resultado com os recursos existentes, aproveitando melhor o dinheiro, a mão de obra, os recursos naturais e a alimentação. Como metas, Leonardo afirma que os produtores de leite que desejam melhor desenvolver seu negócio devem investir em cinco quesitos: volumoso, eficiência no uso da água, uso de esterco como adubo, controle leiteiro e mão de obra qualificada. 

 

Portanto, quanto ao volumoso, deve existir oferta de alimento aos animais durante o ano todo, com planejamento forrageiro e distribuição espacial da forragem, aproveitando melhor as áreas pouco utilizadas. O zootecnista apresentou um case de uma propriedade de 10 alqueires que de 2017 a 2021 aumentou sua área de pastagem por meio do aproveitamento da terra, duplicando sua área de cultivo nesses cinco anos. A pastagem é o alimento mais barato para o gado, por isso é preciso incentivar o seu consumo no momento que a oferta de pasto for maior.

 

Sobre a eficiência no uso da água, Leonardo apresentou um caso em que os custos com a irrigação se pagaram por meio do aumento da produção leiteira, logo “não é um gasto, é investimento”. No referente ao uso de esterco como adubo, Salles menciona que na Europa praticamente todos os produtores reutilizam o esterco, mas não de maneira simplista como alguns fazem no Brasil, e sim com o uso de máquinas que distribuem os dejetos pelo solo de modo mais eficiente para que não haja gastos com adubos.

 

O controle leiteiro é outro ponto crucial para que exista eficiência no controle de mastite e isso pode ser alcançado via testagem do produto e acompanhamento dos dados de reprodução, para que o produtor controle quais vacas têm a inflamação para separá-las e manter a qualidade do leite, sem ter que misturar o produto bom ao ruim para depois aplicar antibióticos em vacas saudáveis. O ajuste na dieta dos animais também é importantíssimo nesse quesito para promover a eficiência alimentar, que traz benefícios como a economia no custo da ração, a melhora nos sólidos do leite, desempenho produtivo e reprodutivo e melhor saúde do gado.

 

Por fim, é primordial contratar mão de obra qualificada. Na França, por exemplo, ela é rotativa, com o acompanhamento de estagiários estudantes de faculdades ou cursos técnicos da área. Esses jovens não só estão por dentro das novidades e tecnologias do campo, podendo contribuir para o melhoramento do produtor leiteiro, como também eles buscam renda periodicamente, permitindo que os produtores tirem folgas e férias sem se preocupar com o acompanhamento de sua empresa. Essa eficiência na mão de obra poderia ser aplicada no Brasil com facilidade, beneficiando os estudantes e o agricultor.

 

Redação: Nicole de Alencar Broetto



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