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16 de Agosto de 2013

Agricultura do Paraná perdeu R$ 1,26 bilhão com as geadas

A geada prevista para a madrugada de hoje chega à zona rural como agravante. A quebra nas lavouras de trigo, milho e café do Paraná, provocada pelo frio que congelou os campos em 23 e 24 de julho, soma R$ 1,26 bilhão, o equivalente a 2,3% do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de 2012. Na reta final de uma safra recorde, o clima consumiu pelo menos 2 milhões de toneladas de grãos da temporada 2012/13, conforme o balanço divulgado ontem pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

O quadro do trigo é o mais grave, do ponto de vista econômico. A perda de 33% na safra, agora estimada em 1,94 milhão de toneladas, representa prejuízo de R$ 728,8 milhões para os produtores e terá impacto sobre os preços de derivados como pães, biscoitos e massas até 2014.

“Contávamos com perdas de até 700 mil toneladas”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Marcelo Vosnika. A quebra de 954 mil toneladas é 40% maior que esse volume. Resultado: as importações vão passar de 70% do consumo deste ano, avaliado em 10,8 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “A Argentina está fechada para exportação. A saída será trazer trigo dos Estados Unidos a US$ 410 por tonelada”, diz Vosnika.

Essa cotação não considera tarifa de importação de 10% – que está suspensa e pode voltar a vigorar no mês que vem –, mas é alta o suficiente para impulsionar os preços no mercado brasileiro. O valor pago ao produtor no Paraná (R$ 45,80 por saca de 60 quilos) está 35% acima do registrado em setembro de 2012. A expectativa da indústria era de que a colheita, que engrena em setembro, baixasse esses índices. Segundo Vosnika, isso só deve ocorrer a partir do ano que vem.

Produtores como Gilberto Peruzi, que tinha 677 hectares de trigo em Londrina, estão identificando áreas com perda total, que serão simplesmente roçadas para o cultivo de soja. Apenas 10% dos 940 mil hectares plantados com a cultura no estado têm seguro, conforme o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Francisco Simioni.

Café

No café, as perdas de 57,6 mil toneladas (R$ 253 milhões) representam 62% da safra e terão impacto na agricultura familiar, diz o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Segundo ele, 90% dos 12 mil cafeicultores do Paraná são pequenos produtores.

“O café vem levando sucessivos coices desde a geada negra de 1975”, aponta. Devem ser derrubados 16 mil hectares de cafezais, que reduzirá a lavoura para 66 mil hectares. “[Para uma recuperação], o desafio é conduzir quem tem café correndo nas veias para o cultivo adensado e a colheita mecanizada”, diz Ortigara.

Milho

Em volume, a maior quebra é a do milho: são 960 mil toneladas (R$ 278 milhões) a menos que o esperado. Essa perda, de 8% da colheita esperada, limita a produção de inverno a 10,6 milhões de toneladas, volume ainda recorde para este ciclo. Mesmo com o corte de 2 milhões de toneladas, a safra paranaense de grãos, de 36,3 milhões de toneladas, ainda será 10% maior que o recorde de 2009/10.

Seguro depende de subsídio

As quebras climáticas são inevitáveis, mas os prejuízos socioeconômicos no campo poderiam ser reduzidos se houvesse maior adesão ao seguro rural, avalia o governo do estado. Convencido de que a estruturação desse sistema vai levar tempo, o poder público tenta baratear e, assim, tornar mais atraentes os contratos das seguradoras, que oferecem cobertura parcial e usam índices de produtividade considerados defasados pelo agronegócio.

“Vamos custear metade da parte do seguro que não é subsidiada pelo governo federal”, disse o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Ou seja, quem consegue 60% de apoio do governo federal e teria de arcar com os 40% restantes, agora vai pagar apenas 20% da apólice.

O Ministério da Agricultura anunciou R$ 700 milhões em subvenção ao seguro rural para 2013, mais que o dobro do valor de 2012, quando apenas 11% da área plantada tinha seguro. O Paraná prevê destinação de R$ 6,5 milhões, sem elevação de orçamento, mas com aumento no número de culturas amparadas de três para 29. O trigo, que tinha subvenção na última safra, ficou com apenas 10% da área coberta por seguro privado.

Contra a geada prevista para hoje e amanhã, no entanto, valem os contratos já assinados. Aos triticultores, resta torcer por impacto reduzido. No milho a colheita está sendo finalizada. Os cafeicultores têm chance de reduzir as perdas cobrindo a base dos troncos das plantas com terra. Produtores de verduras dependem de cobertura e aquecimento artificial.

Frio corrosivo

Tombo na produção é comparado ao de 1999/2000.

• 62% da produção de café de 2014, 33% do trigo de 2013 e 8% do milho de inverno de 2013 foram perdidos.

• 960 mil toneladas de milho e 954 mil t de trigo foram perdidas. No café, deixarão de ser colhidas 57 mil t no ano que vem.

• 16 mil hectares de café devem ser derrubados, reduzindo os cafezais do Paraná a 66 mil ha, metade da área de 2003.

• R$ 728,8 milhões foram perdidos no trigo em áreas 60% concentradas nas regiões de Cascavel, Campo Mourão, Ivaiporã e Apucarana.

• R$ 45,80 é a cotação da saca de trigo ao produtor. O valor era de R$ 42 antes das geadas.

• A safra de milho de inverno baixou de 10,6 milhões de toneladas para 11,6 milhões de toneladas.

• 1,76 milhão de toneladas é o tamanho da safra de trigo – antes, eram 2,67 milhões.

• 20% é a estimativa das perdas em verduras como alface e repolho na Região Metropolitana de Curitiba.

Fonte: Gazeta do Povo



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